terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Lucy: entre a humanidade e a evolução

E se você pudesse aprender tudo aquilo que quisesse neste momento? Ou mover qualquer objeto com a força do pensamento? O ser humano sempre gostou da ideia de ser poderoso, de possuir dons que o tornassem único. O domínio desse campo pode trazer vantagens com relação às demais pessoas, contribuindo com a dominação de mentes e autoritarismo, ao mesmo tempo que poderia representar grandes avanços científicos, auxiliando os estudiosos na descoberta de curas para doenças, por exemplo.


No filme Lucy, estrelado por Scarlett Johansson (a Viúva Negra de Os Vingadores, em um filme que não ressalta apenas a beleza da atriz), as possibilidades proporcionadas por meio da utilização total da atividade cerebral são exploradas em uma trama que combina ação, ficção e Ciência. 

Em um momento, o personagem de Morgan Freeman, Professor Norman, um estudioso, explica aos presentes em uma palestra sua teoria sobre os efeitos gerados pelo uso da mente humana em diferentes proporções e a representatividade disso para a humanidade – se tivéssemos condições de voltar ao passado e depois retornar ao presente; se conseguíssemos lembrar de fatos impossíveis de serem rememorados (por exemplo, na época em que você estava na barriga de sua mãe).

Essa passagem lembra um pouco esses documentários sobre a vida na Terra e cenas como essa são alternadas com imagens em que Lucy vive na pele os efeitos colaterais da transformação de seu organismo, que ganha superpoderes ao consumir uma nova droga, a CPH4, que será lançada no mercado do tráfico. Virando cobaia involuntariamente, a moça quase morre, mas ao invés disso, o personagem vai se fortalecendo, seja física ou mentalmente. Ao passo que a heroína vai ficando mais forte, parece que os traços e sentimentos que caracterizam o homem e suas relações vão enfraquecendo em sua personalidade, deixando a jovem cada vez mais racional e impessoal.

Crédito: Jessical Forde / © EUROPACORP -
TF1 FILMS PRODUCTION
 - GRIVE PRODUCTIONS
No fim do filme, apesar de Lucy fazer o que é certo com sua capacidade mental e física extraordinárias, fiquei na dúvida se esse poder realmente seria algo bom se fosse possível alcançá-lo, já que muitos o direcionariam para executar os próprios interesses, passando por cima de qualquer um para obter o que desejassem – a exemplo da quadrilha que aliciou as pessoas para testarem a droga ou mesmo a personagem principal, que mata um taxista quando viu que este estava enrolando para ajudá-la e atrapalhava sua fuga.

O incrível é que, mesmo sem essa capacidade, muita gente extrapola os limites da convivência e da vida em si, contribuindo para o desequilíbrio entre os seres. Um bom filme que gera reflexão. 

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